Lama Tsong Khapa – Shiwa Lha – Centro de Estudos do Budismo Tibetano

Lama Tsong Khapa

Lama Tsong Khapa

Tsong Khapa Losang Dragpa (tib. Tsong kha pa bLo bzang Grags pa, 1357-1419), nasceu no vale Tsongkha, em 1357, na província de Amdo, no Tibet oriental. De acordo com as biografias tradicionais, seu nascimento foi a culminação de um processo de desenvolvimento espiritual que começou em uma vida anterior, no tempo do Buda Shakyamuni. Como um jovem menino, ele teria oferecido um rosário de cristal ao Buda, que o presenteou com uma concha e disse ao seu atendente, Ananda, que em uma vida futura o jovem menino nasceria no Tibet. Lá, ele fundaria um grande monastério e se tornaria uma das figuras mais influentes na difusão do Dharma na Terra das Neves. O Buda, então, teria previsto que, naquela vida futura, o menino seria chamado Sumatikirti (o equivalente sânscrito para Losang Dragpa).

Tsong Khapa foi ordenado aos 3 anos de idade pelo quarto Karmapa, Rölpe Dorje (tib. Rol pa’i rDo rje, 1340-1383), que deu a ele o nome Künga Nyingpo (tib. Kun dga’ sNying po). Aos 7 anos, ele recebeu os votos de noviço e lhe foi dado o nome Losang Dragpa (tib. bLo bzang Grags pa). Nessa idade, ele já era totalmente devotado à prática religiosa e se sobressaiu no estudo de filosofia buddhista e meditação tântrica. Seu primeiro grande mestre, Chöje Döndrub Rinchen (tib. Chos rje Don grub Rin chen), disse para ele estudar o Ornamento das Realizações Claras (tib. Abhisamayalamkara, tib. Ngönpar Togpe Gyen / mNgon par rTogs pa’i rGyan) de Maitreya, e o iniciou nas práticas das divindades tântricas Yamantaka, Vajrapani, Manjushri, Amitayus etc.

Tsong Khapa foi uma das maiores figuras da história do budismo tibetano. Renomado erudito, meditador e filósofo, seu trabalho escrito contém uma visão compreensiva da filosofia e prática budistas, que integra o sutra, o tantra, a lógica analítica e a meditação yógica. Ele também foi um dos maiores reformadores religiosos do Tibet, um devoto monge budista que dedicou sua vida a revitalizar o budismo tibetano e a recapturar a essência dos ensinamentos de Buda. Foi o fundador da escola Gelugpa. O começo de sua escola pode ser traçado desde a fundação do monastério Ganden, em 1410. Este monastério foi planejado para fornecer um centro à sua escola budista reformada, uma escola na qual os monges deveriam aderir rigorosamente às regras de disciplina monástica (sânsc. vinaya, tib. dül’wa / dul ba), aguçar seus intelectos no debate filosófico e se engajar na prática tântrica de alto nível.

Talvez o maior legado de Tsong Khapa tenha sido a sua brilhante síntese da doutrina e prática budistas, delineados em seus dois principais tratados, a Grande Exposição do Caminho e a Grande Exposição do Mantra Secreto. Cada um destes volumosos textos contém uma visão compreensiva do caminho da iluminação, baseada no modelo indiano clássico. Neste sistema, o iniciante é concebido como uma pessoa cuja mente está aflita por máculas mentais que o impelem de perceber diretamente a realidade. As máculas induzem os seres comuns a se engajar em atividades não-virtuosas, e estas por sua vez resultam em sofrimento. Ainda mais, os seres comuns se tornam condicionados por tais estados mentais negativos por se engajarem repetidamente em atividades não-virtuosas. A chave para se superar o sofrimento esta em eliminar a ignorância básica que impede os seres comuns de ver as conseqüências de suas ações. A apresentação do caminho de Tsong Khapa começa com os seres neste nível e descreve suas condições e causas. Depois desta descrição, ele delineia um caminho gradual, pelo qual eles podem superar suas aflições, se engajar em ações virtuosas, remover as máculas mentais e sus pré-disposições, e finalmente atingir a iluminação através da prática diligente.

Adaptado do livro Introduction to Tibetan Buddhism, de John Powers, Snow Lion Publications, Ithaca – New York, 1995