A perfeição do Esforço Entusiástico (Pelo Dharma) – Shiwa Lha – Centro de Estudos do Budismo Tibetano

A perfeição do Esforço Entusiástico (Pelo Dharma)

Há três tipos de esforço:

1. O primeiro é o esforço mental de interromper o desejo por coisas improdutivas. Se temos um forte desejo por coisas comuns desconectadas do Dharma, a nossa prática do Dharma será prejudicada. Embora tenhamos que fazer coisas cotidianas, se a nossa estima por elas for maior do que a nossa estima pelo Dharma, a nossa atenção é levada para longe do nosso trabalho principal. Uma pessoa pode se concentrar e trabalhar duro, mas se a meta de todo aquele esforço for mundano, então, de acordo com o Dharma, esta pessoa é preguiçosa. Pessoas que realmente querem praticar o Dharma têm pressa, até mesmo quando estão comendo ou evacuando, para que não haja desperdício de tempo. Energia pelas coisas mundanas é fraqueza; energia pelo Dharma é força real. Este aspecto da perfeição do esforço entusiástico nos acelera rapidamente em direção ao nosso objetivo último. Ter energia para a prática do Dharma, o verdadeiro propósito da vida, nos impede de ficarmos distraídos com objetivos mundanos. Nos protege de todos os tipos de coisas ruins.

2. O segundo tipo de esforço entusiástico nos protege contra a fadiga. Por exemplo, um meditador que sofre de tal fadiga e até a mera visão do local de meditação dá sono, supera esta fraqueza com este tipo de esforço. Uma forma de superar tal falha é considerar o fruto da meditação ou da prática do Dharma. Se sustentarmos este fruto na mente, o cansaço físico não nos fará perder a energia. As pessoas no trabalho não sofrem muito de fadiga porque elas estão pensando no dinheiro que vão receber. Se considerarmos o grande fruto da prática do Dharma trabalharemos duro por ele.

3. O terceiro tipo de esforço entusiástico é a confiança de que não somos pequenos, fracos ou incapazes de obter os frutos da prática do Dharma. Fraqueza deste tipo surge no caminho para se alcançar o objeto. Pode ser superada pensando que os seres mais elevados, os Budas e bodhisattvas, certa vez também só tiveram delusão, viveram no samsara, e eram piores do que nós somos. Através da prática do Dharma, eles alcançaram os estágios mais elevados de perfeição; nós podemos fazer o mesmo. Ninguém possui a virtude perfeita desde o início; quando as crianças vão para escola não conseguem nem mesmo ler ou escrever, mas depois aprendem a fazer isso além de muitas outras coisas, e algumas se tornam grandes acadêmicos. O Buda disse que até mesmo os insetos, que vivem no excremento, podem se tornar Budas. Se mantivermos isto em mente, não encontraremos razão alguma para não praticar o Dharma.

Os três tipos de esforço entusiástico superam as três fraquezas: a da mente não se voltar para o Dharma; a da fadiga que experimentamos durante a prática; a da dúvida que temos em nossa própria habilidade de alcançar os objetivos do Dharma. A pessoa que quer chegar ao topo de uma montanha tem que primeiro voltar-se para o caminho, segundo, continuar andando e não se entregar à preguiça, e terceiro, não hesitar e pensar: “Isto é possível para pessoas fortes, mas não para mim.”

As escrituras ensinam que toda virtude provém do esforço. Com esforço, alguém que não é inteligente pode conseguir o fruto do Dharma. Uma pessoa que é inteligente, mas preguiçosa, não adquirirá tal fruto, e a inteligência tornar-se-á inútil e desperdiçada. Com inteligência e esforço haverá o maior sucesso. Há um símile nas escrituras que diz: “se a grama seca em uma montanha pega fogo e o vento sopra, todo o lado da montanha pegará fogo, mas se não há vento o fogo se apagará imediatamente”. Inteligência é como o fogo e esforço como o vento. Se uma pessoa tem inteligência, mas não aplica esforço, nada alcançará. Assim, a perfeição do esforço é essencial para se alcançar a meta.