Os 15 Dias de Milagres – Shiwa Lha – Centro de Estudos do Budismo Tibetano

Os 15 Dias de Milagres

Chotrul Duchen

Na primeira lua cheia do calendário lunar tibetano, celebra-se o Dia dos Milagres, ou Chotrul Duchen, que comemora o último dia de exibição de milagres pelo Buda, que duraram 15 dias. O Buda realizou os milagres em resposta a um desafio de seis mestres rivais. Esses 15 dias são dias em que os méritos são multiplicados quando qualquer virtude criada é ampliada milhões de vezes. O Dia dos Milagres é também o dia mais especial do Monlam Chenmo, o Grande Festival de Orações, que foi estabelecido no Tibete, em 1409, por Lama Tsongkhapa, para celebrar os milagres de Buda Shakyamuni em Shravasti. Quando milhares de pessoas, laicas ou ordenadas, rezam e fazem oferecimentos de comidas, chá, luzes ou dinheiro para a Sangha. Por este motivo, às vezes, é também conhecido como Festival de Lamparinas de Manteiga, ou Chunga Choepa.

Feitos Milagrosos de Buda Shakyamuni em Shravasti

Certa vez, aos quarenta anos de idade, o Buda estava com centenas de monges no Bosque dos Bambus, nos arredores de Rajagriha. O regente daquele país, o rei Bimbisara, era um dos maiores patronos do Buda. Por lealdade e respeito pelo Buda e seus monges, o rei levou muitos de seus súditos à prática dos ensinamentos. Seis mestres hereges também estavam lá naquela ocasião e os seus ensinamentos enganosos causaram muitas ações inábeis. O irmão mais novo do rei Bimbisara seguiu esses mestres e fez grandes oferecimentos a eles, julgando que eles ensinavam o caminho até a liberação. Como resultado disso, ele foi contaminado por erros, de modo que, embora o Buda mostrasse as glórias da iluminação, ele não conseguia enxergá-las. O rei Bimbisara persuadiu seu irmão a desistir de suas ideias errôneas, mas o seu irmão respondeu, “Eu tenho o meu próprio mestre. Por que devo ouvir o Buda?”

Contudo, sentindo que ele deveria respeitar os sentimentos do rei Bimbisara, o irmão decidiu dar uma festa, oferecendo alimentos e presentes a todos que viessem. Os seis mestres foram e sentaram-se nos assentos mais altos. Quando o Buda e seus discípulos chegaram, eles andaram até os poucos lugares ainda vagos, mas antes que pudessem alcança-los, os seus mestres viram-se levantando dos lugares mais altos e tomando os lugares mais baixos. Por três vezes, eles tentaram voltar aos lugares mais altos, mas cada vez viam-se de volta aos lugares mais baixos. Finalmente, sentindo-se envergonhados, eles permaneceram lá.

Antes que a comida fosse servida, os convidados foram servidos de água para que lavassem as suas mãos. Como Buda estava no assento mais alto, o seu anfitrião ofereceu-lhe água em primeiro lugar, mas Buda disse, “Ofereça primeiro aos seus mestres.” A água foi-lhes então oferecida, mas quando a jarra era virada, nada fluía para as mãos deles. O anfitrião tentou novamente, várias vezes sucessivas, mas a água continuava não fluindo. Ele então a ofereceu novamente ao Buda. A água fluiu livremente para o Buda e, depois disso, para todos. Antes que comessem, o anfitrião pediu ao Buda para abençoar a comida. Ele novamente indicou os seus mestres, dizendo: “Solicite as bênçãos aos seus próprios mestres.” No entanto, quando os seis mestres tentaram rezar, eles não conseguiram pronunciar uma palavra e gesticularam que o Buda deveria fazer a bênção. O Buda assim o fez, com uma voz clara e bela. A comida foi primeiro oferecida a ele, mas o Buda disse mais uma vez, “Ofereça primeiro aos seus mestres.” A comida foi então oferecida aos seis, mas tudo que eles tentavam comer voava pelo ar. Depois que o Buda comeu, tudo o que havia voado mais desceu até as mãos dos sei mestres.

Após a refeição, o anfitrião fez o pedido usual ao Buda para que concedesse ensinamentos. Mais uma vez o Buda indicou os seis, dizendo: “Peça aos seus mestres que falem sobre suas doutrinas.” Mais uma vez os seis mestres, não conseguiram pronunciar uma única palavra e apenas deram um sinal para que o Buda falasse. Ele falou com uma bela voz e cada ouvinte escutava o que era adequado às suas próprias necessidades. O entendimento de todos cresceu imensamente.

Até o conhecimento do rei Bimbisara cresceu e aumentou mais e mais. Muitos alcançaram o primeiro até o terceiro estágios de liberação; outros expandiram sua mente bodhi e alguns alcançaram a suprema mente bodhi. Um grande número de pessoas alcançaram o estágio de não‐retorno e outros obtiveram o que pediram em suas preces e desenvolveram uma grande fé nas Três Joias. A partir de então, o povo de Rajagriha seguiu o Buda.

Os seis mestres partiram com raiva por terem perdido seus seguidores. Eles pediram ajuda aos demônios de Mara para restringir as atividades do Buda. Os demônios se manifestaram como os seis mestres e foram até o Mercado para exibir vários feitos milagrosos – disparando água, chamas e luzes de muitas cores de seus corpos. O povo, maravilhado com esses feitos, passou a segui-los. Os demônios anunciaram: “Devido à maldade do Gautama, nós caímos em desgraça. Todos os reis, brâmanes e grandes patronos que nos veneravam e nos traziam oferecimentos agora não nos respeitam mais. Agora, essas pessoas estão correndo atrás de Gautama, dando‑lhe tudo que acostumavam nos dar. Nós desafiamos o Gautama a uma competição de milagres —para cada um de seus milagres nós realizaremos dois; se ele fizer dezesseis, nós faremos trinta e dois. O povo verá por si mesmo quem é mais poderoso.”

Os seis mestres foram até o rei Bimbisara e pediram que apresentasse os seus desafios ao Buda. O rei riu de suas arrogâncias: “Vocês são tolos. Os seus feitos milagrosos sequer podem começar a se comparar com os do Buda. Seu desafio é como a luz de um vagalume comparada à luz solar, como a água na pegada de um boi comparada ao oceano. É como a raposa desafiando o leão.” Os seis panditas insistiram e disseram: “Você verá. O que aconteceu antes não é uma indicação do que acontecerá agora. Quando competirmos ficará claro quem é o maior.”

O rei Bimbisara visitou o Buda e relatou o desafio: “Aqueles seis mestres querem comparar seus poderes milagrosos com os do Tathagata. Por favor, mostre-lhes os seus poderes para reverter suas visões errôneas e guia-los para o trabalho virtuoso. Eu posso estar presente quando você fizer isso?” O Buda respondeu, “A hora será conhecida. Prepare um local adequado.” O rei Bimbisara instruiu seus ministros para que um grande campo fosse limpo e preparado. Lá eles ergueram um trono de leão e estandartes de vitória do Buda conquistador. O povo avidamente aguardou para ver o Buda e os seis mestres realizarem seus milagres. Propositadamente, Buda evitou exibir seus poderes porque as pessoas são facilmente interessadas em poderes mundanos em vez de praticar o Dharma. Assim, para surpresa de todos, Buda partiu de Rajagriha e foi para a cidade vizinha de Vaisali.

O povo de Vaisali, os Licchavis, deram as boas-vindas ao Tathagata. Quando os seis mestres souberam que o Buda havia partido para Vaisali, eles proclamaram: “Gautama tem medo de nós. Ele fugiu!” Então, partiram atrás dele. O rei Bimbisara foi para Vaisali com quinhentas carruagens, elefantes, cavalos, provisões e milhares de atendentes e ministros. Os seis mestres levaram seu desafio ao rio dos Licchavis e ele foi até o Buda dizendo: “Por favor, mostre seus poderes milagrosos e subjugue esses homens.” Novamente Buda respondeu, “Tudo em bom tempo,” e disse-lhes que preparassem um local.

Contudo, ele novamente partiu para outro país, Kausambi, seguido por uma grande multidão e os seis panditas. O rei Udrayana e o povo de Kausambi deram as boas-vindas ao Buda. Através do rei Udrayana, os seis mestres novamente desafiaram o Buda, que mais uma vez respondeu, A hora é conhecida. O rei Udrayana fez grandes preparações, mas o Buda seguiu para War, a terra do rei Shun Tsin. De War, ele foi para Tigitsashiri, que era regido pelo rei Brahmadatta. De lá, ele foi para Kapila, o país de seu próprio povo, os Sakyas, e, finalmente, partiu para Sravasti, a terra do rei Prasenajit. Ele foi seguido até lá pelos reis dos países por onde havia passado, juntamente com milhares de seus atendentes e pelos seis mestres e seus noventa mil seguidores.

Os seis mestres foram até o rei Prasenajit, dizendo: “Nós preparamos os nossos feitos milagrosos. Muito tempo se passou desde que desafiamos Gautama e ele continua fugindo.” O rei Prasenajit respondeu, rindo: “Vocês nada sabem e ainda assim querem desafiar o grande rei do Dharma. Pessoas como vocês não podem se comparar a ele.” Mas, para acalmá-los o rei Prasenajit visitou o Buda e disse, “Aqueles seis mestres querem desafiá-lo. Por favor, exiba os seus poderes milagrosos e subjugue-os.” Novamente Buda respondeu, “A hora é conhecida. Prepare um local adequado.” O rei Prasenajit mandou seus ministros limparem e prepararem um campo amplo, queimando incenso e instalando um trono de leão e estandartes do Conquistador.

Através de sua clarividência, Buda sabia que eles não seriam subjugados, a menos que ele realizasse os milagres. Assim, por 15 dias, ele superou os seis mestres.

No primeiro dia da primavera, Buda foi até o campo que havia sido preparado e sentou-se no trono de leões perante uma multidão. Depois dos grandes oferecimentos do rei Prasenajit, o Tathagata pegou um palito e enfiou na terra. Imediatamente, ele cresceu e se transformou em uma árvore maravilhosa que realiza desejos. A imensa árvore cobria todo o campo e acolhia sob a sua sombra toda a assembleia presente. Em seus galhos, que se estendiam por quilômetros, cresceram belas folhas, flores, frutos e joias de todos os tipos. A luz multicolorida que emanava das joias era tão brilhante quanto a luz do sol e lua juntos. Quando os galhos da árvore balançavam ao vento, os sons dos ensinamentos eram ouvidos. O próprio Buda falou para a multidão. Muitas pessoas que ouviam progrediram imensamente — alcançaram o estado de arhat e milhões amadureceram as sementes de um renascimento nos reinos elevados de humanos ou deuses.

No segundo dia da primavera, o rei Udrayana fez grandes oferecimentos ao Buda. O Tathagata, então, virou sua cabeça para a direita e para a esquerda e, em cada lado do trono de leões, ele criou uma montanha de joias com árvores frutíferas. Em cada montanha fluiu uma nascente mágica, cujas águas com as oito qualidades especiais. A montanha à sua esquerda estava coberta por grama exuberante para alimentar e satisfazer os animais, enquanto a outra à sua direita estava coberta por uma comida especial para satisfazer os humanos. O Buda, então, deu ensinamentos de acordo com a habilidade de cada pessoa e muitas foram liberadas. Algumas das pessoas presentes geraram a suprema mente bodhi e muitas estabeleceram a inclinação para renascimento como humanos ou deuses.

No terceiro dia, o rei Shun Tsin, de War, fez oferecimentos ao Tathagata. Após comer, o Buda lavou sua boca com água e cuspiu a água para fora. No chão onde a água caiu, formou-se um belo e enorme lago que se estendia por trezentos quilômetros. A água tinha as oito qualidades especiais e o poder de curar qualquer um que a bebesse ou tocasse. O fundo do lago era coberto por sete tipos de joias. Grandes quantidades de flores de lótus de todas as cores cresciam em sua superfície e suas fragrâncias preenchiam todo o ambiente. Pelos raios de luzes que se estendiam delas em todas as direções, as pessoas podiam ver as flores de qualquer lugar. Quando as viam, elas ficavam felizes e quando o Buda ensinou, algumas alcançaram o estado de arhat, algumas aumentaram sua mente bodhi e muitas outras alcançaram a semente de renascimento em mundos dos humanos ou deuses.

No quarto dia, o rei Indravarma preparou os oferecimentos ao Buda. Buda criou uma piscina natural de onde oito canais de água fluíam para fora por caminhos circulares e para onde depois voltavam. Uma forte voz emitida pelo som das águas nos canais dava à assembleia os sagrados ensinamentos sobre os cinco poderes, as cinco forças, os sete aspectos da mente bodhi e o caminho óctuplo, os três princípios do caminho para a liberação, os seis tipos de onisciências e os quatro imensuráveis. Com esses ensinamentos muitos alcançaram a compreensão dos efeitos da Budeidade e muitos alcançaram o renascimento nos estados elevados de humanos ou deuses. Centenas de milhares aumentaram suas obras virtuosas.

No quinto dia, o rei Brahmadatta, de Varanasi, preparou vários oferecimentos para o Buda. O Tathagata emitiu uma luz dourada de seu sorriso que preencheu três mil mundos. Esta luz tocou todos os seres viventes, purificando as poluições dos três venenos: desejo, ódio e ignorância. Todos os seres tornaram-se pacíficos em corpo e mente e aqueles reunidos se alegraram muito. Quando Buda falou, muitos aumentaram a mente bodhi, muitos plantaram sementes de renascimento como humanos ou deuses e um número incontável aumentou as suas obras virtuosas.

No sexto dia, o povo Licchavi fez oferecimentos ao Buda. Buda. Então. possibilitou a todos os presentes a clarividência de uns conhecerem as mentes dos outros. Cada um viu os bons e maus pensamentos dos outros e aprendeu sobre o resultado futuro de suas negatividades ou virtudes. Todos experimentaram uma grande fé e louvaram o conhecimento do Buda. Então, o Tathagata ensinou o santo Dharma e muitos alcançaram uma grande compreensão—alguns alcançaram a mente bodhi, alguns o estado de arhat e um número imensurável alcançou o renascimento como humanos e deuses.

No sétimo dia, o próprio clã do Buda, os Sakyas, fizeram os oferecimentos. Buda apareceu perante os discípulos cercado de reis e grandes chakravartins (reis universais que sustentam o Dharma), cada um possuidor de sete joias mágicas. Cada um regia seu próprio pequeno país com muitos respeitáveis ministros. Juntos, todos recitaram louvores e elogios ao Buda. Enquanto isso, os falsos mestres estavam bastante impotentes para realizarem qualquer milagre. Seus pensamentos eram confusos, a linguagem adormecida e os sentimentos suprimidos. Todos estavam muito felizes com isso e quando o Buda falava eles tinham grande fé. Após aumentar suas mentes bodhi, muitos alcançaram o estado de arhat e outros semearam as sementes de renascimento como humanos ou deuses.

No oitavo dia, Indra convidou Buda e preparou um grande trono de leões. Quando o Tathagata estava sentado, o próprio Indra fez oferecimentos à esquerda de Buda, enquanto Brahma fazia oferecimentos à sua direita. Eles se curvaram perante ele, enquanto as pessoas se sentavam em silêncio. Buda colocou com sua mão direita no trono de leões com o mudra de tocar a terra e houve um grande e trovejante som de barrido de elefantes. Cinco demônios ferozes chegaram rugindo e destruindo os tronos dos seis mestres falsos. Depois surgiu a deidade Vajrapani que, com uma arma poderosa como relâmpago, espantou os apóstatas. Apavorados, os seis mestres falsos pularam na água e desapareceram. Com seus mestres desertando-os, os noventa mil admiradores tomaram refúgio no Buda e pediram a plena ordenação como monges. Buda deu-lhes as boas-vindas e as barbas e cachos embaraçados, que os marcavam como discípulos dos seis mestres milagrosamente desapareceram. Buda ensinou a todos eles, segundo suas capacidades de compreensão. Libertando-se dos grilhões do desejo, ódio e ignorância, cada um alcançou o estado de arhat.

Então, o Tathagata irradiou oitenta e quatro mil raios de luz dos poros de seu corpo, de modo que a luz preencheu o céu inteiro. Na ponta de cada raio havia um belo lótus e no topo de cada lótus apareceu um Buda junto com seus atendentes. Cada Buda ensinava a doutrina do Tathagata. Todos sentiram alegria com esta visão e sua fé aumentou imensamente. Então, Buda falou do santo Dharma e muitos aumentaram suas mentes bodhi, alguns alcançaram o estado de arhat e um número incontável produziu a inclinação para renascer como humanos ou deuses.

Do primeiro ao oitavo dia foram dias de competição com os seis mestres hereges. Do nono ao décimo quinto dia, o Buda exibiu milagres sem competição.

No nono dia, Brahmaraja fez oferecimentos ao Buda. O Tathagata fez seu corpo crescer até alcançar o mais alto céu de Brahma. De seu corpo, raios de luzes brilharam em todas as direções. Dessa imensa altura, ele ensinou o Dharma a todos os habitantes de todos os mundos, que o ouviam com a total clareza.

No décimo dia, os quatro grandes reis que protegem o Dharma convidaram o Buda para ensinar. Novamente, ele alongou o seu corpo até alcançar o topo do samsara, tornando-se visível em todos os reinos do samsara. Raios de luzes fluíram de todos os seus poros enquanto ensinava.

No décimo primeiro dia, o grande patrono Anathapindika fez oferecimentos ao Buda, que estava sentado no trono de leões em meditação. Buda não estava visível e a assembleia não podia ver a sua forma, pois todo o seu corpo se transformou em luz dourada, que preenchia com sua luminosidade milhares de mundos, enquanto explicava os ensinamentos com uma grandiosa voz que era ouvida por todos.

No décimo segundo dia, o chefe de família Tseta convidou o Buda para falar. O Tathagata entrou em concentração, meditando no grande amor. Luz dourada foi emitida pelo corpo, estendendo-se por todos os mundos. Os raios de luz eliminaram os três venenos das mentes de todos, aumentando-lhes a compaixão e desenvolvendo a bondade amorosa. Eles amaram-se uns aos outros como um pai e uma mãe amam seus filhos, como um irmão ama sua irmã.

No décimo terceiro dia, o rei Shun Tsin fez oferecimentos ao Buda. O Tathagata sentou no trono de leões e emitiu, de seu umbigo, dois raios de luz que se elevaram a quinze metros de altura. Na ponta de cada raio de luz havia uma flor de lótus. Sobre cada lótus, havia a manifestação de um Buda, que também emitia dois raios de luz com um lótus e um Buda na ponta e assim sucessivamente, preenchendo todos os universos com Budas. Todos os Budas ensinavam o Dharma.

No décimo quarto dia, o rei Udrayana fez oferecimentos ao Buda. Ele salpicou flores perante o Buda e as flores se transformaram em mil duzentas e cinquenta carruagens feitas de joias preciosas com a manifestação de um Buda em cada uma. As luzes que irradiavam de seus corpos preencheram todos os mundos, enquanto Buda ensinava o Dharma tal qual um médico que cura o doente.

No décimo quinto e último dia, da celebração da primavera, o rei Bimbisara trouxe presentes ao Buda. O Buda, então, disse ao rei Bimbisara para trazer todos os recipientes da cidade e os recipientes foram milagrosamente preenchidos com alimentos de cem sabores diferentes. Quando a assembleia os consumiu, seus corpos e mentes ficaram completamente satisfeitos e deleitosos. Buda perguntou-lhes, “Por que há tão imensurável miséria no mundo?” O Buda, então, tocou o chão com sua mão e o chão se abriu. Todos viram os infernos onde sofriam os seres que haviam buscado obter da vida só prazer. Por suas bênçãos, até os dezoito tipos de demônios realizaram que seus sofrimentos eram causados por seus próprios atos. Eles sentiram uma grande fé no Buda. Como em todos os dias anteriores, todos aqueles reunidos alcançaram grandes avanços. Alguns aumentaram suas mentes bodhi, alguns alcançaram o estado de arhat, alguns alcançaram o estágio de não-retorno, muitos alcançaram as sementes de renascimento como humanos ou deuses e incontáveis outros aumentaram suas virtudes.

Existem oito tipos de estupas. Uma delas é chamada de estupa dos milagres e foi construída para comemorar este grande evento.

A principal finalidade do Grande Festival de Orações é rezar pela longa vida de todos os santos gurus de todas as tradições, pela sobrevivência e florescimento do Dharma nas mentes de todos os seres sencientes e pela paz mundial.