Reflexões – Shiwa Lha – Centro de Estudos do Budismo Tibetano

Reflexões

Enquanto reflito como todos os Budas se manifestam
no aspecto do Guru, e me guiam com compaixão,
Eu me lembro do Guru.

Enquanto reflito em tomar a essência inequívoca
– escolher ganho ou perda, felicidade ou sofrimento –
deste perfeito corpo humano,
tão difícil de encontrar e tão significativo,
Eu me lembro do Guru.

Enquanto reflito como tenho que seguir sozinho,
neste instante separando-me repentinamente
de todas as perfeições desta vida,
Eu me lembro do Guru.

Enquanto reflito no meu próprio corpo caindo no terrível fogo
narak, experimentando um sofrimento insuportável,
Eu me lembro do Guru.

Embora o desejo por ganho seja em interesse próprio,
experimento o sofrimento sem felicidade.
Portanto, abençoe-me para que eu seja capaz
de oferecer a vitória e o ganho aos outros.
Embora eu coloque a perda nos outros,
na realidade ela recai sobre mim.
Portanto, peço que me abençoe para que eu seja capaz
de puxar toda a perda para mim.

Assim, abençoe-me para que os sofrimentos de todos os seres
migrantes amadureçam no meu próprio contínuo mental e que eu
cause felicidade ao dar toda a minha felicidade aos seres migrantes.

Como a responsabilidade do trabalho pelas sofridas mães
recai sobre o filho ou filha descansado,
Peço que me abençoe para que eu seja capaz de assumir a grande
responsabilidade do trabalho infinito pelos seres sencientes.

O trabalho pelos outros depende da plena iluminação, portanto,
peço que eu me torne capaz de gerar rapidamente o pensamento
sublime de desejar alcançar a iluminação pelo bem de todos os
seres sencientes.

As seis consciências percebem continuamente uma multidão de
aparências, vendo várias coisas mundanas, que são fenômenos
dualistas, destituídos de uma base:

Exatamente aí está o cenário das ilusões traiçoeiras.
Nunca pense como algo verdadeiro,
mas veja como natureza da vacuidade.
Não coloque a sua mente nas distrações externas da verdadeira
existência, mas mantenha a sua mente
na consciência contínua de aparência e vacuidade.

Sustente essa lembrança, sem se esquecer,
Na realidade: aparência e vacuidade.

Colofão: Mensagem de Ano Novo de Lama Zopa Rinpoche – 1998.
Traduzido para o português pela Equipe de Traduções da FPMT Brasil, em 1998.
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