Relaxamento e Meditação para Controle de Dor – Shiwa Lha – Centro de Estudos do Budismo Tibetano

Relaxamento e Meditação para Controle de Dor

Ven. Pende Hawter

Uma meditação muito poderosa para aliviar a dor é penetrar na dor e explorá-la – há algumas indicações de que para dores mais extremas, como a de um câncer terminal, focalizar na dor em vez de fugir dela é mais efetivo para conseguir a redução da dor.

Normalmente quando sentimos dor, temos medo, fuga e resistência, o que causa mais tensão e mais dor. A técnica de explorar a dor é preconizada por pessoas como Stephen Levine e Ian Gawler e pode ser muito eficaz. Pessoalmente, eu não tenho usado esta técnica muito, mas um amigo meu que trabalha com Ian Gawler diz que ele tem conseguido bons resultados usando-a com pacientes com câncer, e tem visto pessoas com dores crônicas do câncer ficarem livres da dor após dominarem esta técnica.

Nesta técnica de explorar a dor, a pessoa se senta ou deita confortavelmente e fecha os olhos. Elas então relaxam o máximo possível usando uma das técnicas conhecidas. Elas movem a atenção através do corpo procurando uma área com sensação diferente, por exemplo, dolorosa, tensa ou sob pressão. Então elas são instruídas do seguinte modo:

Perceba onde a sensação está no seu corpo, por exemplo, no estômago. Seja o mais específico possível, por exemplo, perto da pele, no fundo do abdômen, na parte superior ou inferior. Ela esta fixa em um lugar ou está se movendo? Ela vibra? Onde ela se encontra?

Perceba o seu formato. É como uma bola, uma esfera, uma vara? Ela tem ramificações?

Perceba a sua densidade. É pesada ou leve? É a mesma o tempo inteiro? Qual é a sensação? Qual é sua textura superficial? É suave e indistinta, ou dura e lisa?

Que temperatura ela tem? Quente ou fria, ou é a mesma de todo local do seu corpo?

Que cor ela tem? Se isto for vago, imagine que cor ela poderia ter. Após desenvolver uma boa imagem da dor, existem várias opções:

1. Continue repetindo o processo de escanear o corpo, localizando e examinando a dor conforme as diretrizes acima. Uma vez que a dor seja plenamente experimentada desta maneira, muito freqüentemente ela simplesmente desaparece.

2. Após desenvolver uma imagem completa da dor, coloque o centro de sua atenção dentro daquela imagem e conscientemente relaxe-a. Isso inicialmente causa um aumento de desconforto ao se concentrar plenamente na dor, mas o processo permitirá a você atravessar a dor e se livrar dela.

Uma vez estabelecida, esta técnica requer muito pouca energia para mantê-la. A dor pode ser reconhecida e aceita, e a vida continua livre de seus efeitos. Um outro tipo de meditação não só pode reduzir a dor ou a percepção da dor, mas pode realmente resultar em uma cura espiritual e psicológica profunda. Nos últimos anos venho usando esta meditação com várias pessoas freqüentemente com resultados bastante profundos. Contudo, não é uma meditação que possa ser dada a todos, e você precisa escolher cuidadosamente quem esteja pronto para ela. O ponto de partida desta meditação é para o paciente desenvolver a compreensão de que “não estou experimentando a minha dor, mas a dor do universo, a dor que todos os seres experimentam por estarem vivos.” Seguindo a compreensão da universalidade da dor, a pessoa pode então começar a abrir o coração para a dor dos outros. Uma grande cura pode ocorrer ao fazer isso, e  muitas pessoas experimentam esta cura espiritual e psicológica quando se aproximam da morte.

Então a pessoa tenta gerar o pensamento “Por eu experimentar esta dor, que todas as outras pessoas possam ficar livres deste tipo de dor. Por eu ter este câncer, que  todos os outros seres possam ficar livres do câncer e ter vidas longas e saudáveis.” Nós podemos realmente fazer isto com qualquer dor física ou mental que estivermos sentindo. Por exemplo, se estivermos com dor de cabeça, podemos pensar “Por eu estar com esta dor de cabeça, que todas as pessoas em todos os lugares possam ficar livres de dor de cabeça.” Em sua mente, a pessoa assume voluntariamente o sofrimento dos outros. Esta técnica afasta a mente das preocupações rotineiras que temos com nós mesmos, especialmente evidentes quando estamos doentes, com dor, ou morrendo, e utiliza o problema para gerar compaixão pelos outros. A mente da compaixão é o maior curador, em todos os níveis, e para aqueles que conseguem usar esta técnica os resultados podem ser bastante profundos.

Colofão: Ven. Pende Hawter trabalhou muitos anos na Austrália com doentes terminais. Este artigo foi publicado no Informativo do Tara Institute, Austrália em 1992. Tradução: Equipe de Tradutores da FPMT Brasil, novembro de 2010. fpmt.brasil@gmail.com